sábado, 20 de julho de 2013

Não me entenda mal.
Eu nunca fui assim e nunca apoie esse tipo de coisa. Talvez você não me aprove. Eu não me aprovaria. Mas na verdade a aprovação é o que menos importa, ela não muda as coisas como são. Vou contá-las e espero que você se esforce pra me entender e não me julgar.
Eu sempre fui inquieta.
Aquele tipo de inquieta que parece que falta algo. Admiro as pessoas que se contentam em arranjar um trabalho, casar e ter filhos. Eu nunca fui assim. 
Eu queria ganhar o mundo, ver todos os filmes, dançar todas as músicas, conhecer todos os museus, conversar com todos os povos e experimentar todas as comidas. Imaginava que meu guarda roupa teria roupas típicas de todas as nações. E assim, eu seria feliz.
Tive namorados que gostei muito. Achava que amava. Realmente foram bons relacionamentos, mas não era o melhor para a minha vida, não me completava. 
Talvez eu nem acreditasse nisso quando tentaram me ensinar. Passei por projetos como Esther que me ensinaram que existe o bom na vida para a área sentimental, mas você tem que compartilhar a sua vida com o melhor de Deus pra você. Você deve estar pensando: Deus age nessa área? Por que está falando de Deus, o que ele tem a ver com isso? Ele não se mete com essas coisas. Estou apenas contando o que aprendi desde pequena que existe o bom, que será bom em sua vida. E existe a boa, perfeita e agradável escolha de Deus pra sua vida e isto será simplesmente perfeito.
Volto a dizer que não acreditava nisso. Isso é como acreditar que almas gêmeas possam existir e não acreditava que existiam, de maneira nenhuma. Ficou difícil de acreditar quando o conheci também. Vou te contar como o conheci.
Sou socióloga e fui fazer uma especialização em Direitos Humanos. Entrei na sala com vestido florido, blazer, meu cabelo loiro na cintura solto e um sorriso estampado na cara. Estava muito motiva de estar em uma sala repleta de pessoas com os mesmos interesses que os meus. Quando Ben entrou na sala com seus cabelos cacheados desgrenhados e seus olhos verdes reluzindo, eu realmente gostaria que ele sentasse ao meu lado. Pra minha surpresa ele era o meu professor. Muito sério se apresentou e começou a falar. Falava com as mãos. Seus dedos bem definidos, brancos e grandes prenderam a minha atenção, que eu mais olhava pra eles do que para seu rosto. Pensei: O que há de errado comigo? Não consigo parar de olhar essas mãos, devo estar ficando louca. Preciso tomar uma tequila quando eu sair daqui.
Algum caxias que estava sentado ao fundo fez uma pergunta que desprendeu minha atenção, quando olhei de volta pro Ben que estava respondendo a pergunta vi um câncer dourado reluzindo em sua mão esquerda. Como eu posso ficar 5 min admirando uma mão e não ver aquele tamanho de aliança? Respirei fundo e olhei pro chão, notei que ele estava concentrado em mim. Praticamente eu era o foca de sua aula. Deve ter notado o meu interesse pela matéria. 
Me dou bem com os judeus. Gosto da Cultura, admiro as crenças e tenho vários amigos. Não estou tentando justificar o meu interesse pelo Ben. Mas simplesmente eu fiquei hipnotizada. Admirei cada milimetro de sua pele. Notei cada risquinho castanho em seus lindos olhos verdes. Aquele nariz bem marcado em seu rosto e seu cabelo sedoso. Minha mente começou a brigar. O que houve comigo? Virei adolescente tardiamente? Isso nunca havia acontecido comigo. Eu admirava os homens pelo que faziam. Um excelente humanista, outro altruísta, músico, um atleta e por ai vai. Mas ficar assim me sentindo conectada com alguém que nunca vi, era completamente novo pra mim.
Depois de uma extensa explicação, ele nos reuniu em grupos pra falarmos sobre homofobia, mudança de sexo e afins. Eu li que há 5000 crianças no mundo tomando hormônios e sendo preparados pra fazer a mudança de sexo. Sou super a favor das pessoas serem liberadas sexualmente e de mudarem de sexo caso sintam-se confortáveis com tudo que vem junto com essa mudança caso sejam pessoas adultas e realmente seguras dessa escolha. Mas injetar hormônios em crianças me parece um tanto quando opressor. Crianças são muito imaturas pra tomar tamanha decisão e estar cientes de tudo que terão que enfrentar junto com ela. Expus minha opinião pra sala. Todos concordaram comigo após aqueles papos politicamente corretos de que todos tem o direito de escolher o gênero que quer ter... blá blá blá Estávamos numa turma de Direitos Humanos, não podíamos parecer preconceituosos.  Ben sorria enquanto eu falava e nosso contato visual estava inquebrável. Quando terminei ele elogiou a minha coragem de expor algo contra o politicamente correto. Terminando a aula disse que estávamos dispensados. Peguei minha bolsa, alguns caxias já começam se reunir a sua volta e disse:
- Clara, posso falar com você?
Eu estava quase na porta e voltei.
- Claro.
Os outros alunos entenderam o recado, se despediram e nos deixaram a sós.
- Eu li o seu artigo sobre infanticídio. Acho admirável você lutar pra proteger quem não pode se defender e os que não são lembrados. Todos somente lembram dos que trazem lucros ou votos.
- Obrigada.
- Eu queria te convidar pra trabalhar conosco na revista cientifica da pós. Seria ótimo para o seu curriculum e você poderia nos ajudar a escolher os artigos que serão publicados.
Minha mão começou a suar e meu coração disparou. Além dos dois encontros da pós eu estaria com ele mais três vezes na semana. Não posso aceitar. Eu não iria resistir.
- Não sei. Estou muito ocupada...
- Eu preciso de alguém com potencial trabalhando comigo. Eu preciso de você lá.
- Tudo bem, eu vou ajudar.
O que eu disse? Não!
- Excelente. Nós vemos semana que vem. Está semana aproveite para descansar.
Me deu um beijinho no rosto e saiu. E ali estava decretado o meu fim ou o meu começo. Pense como quiser. Naquele momento eu sabia que eu seria dele. Meu coração era dele, pra sempre.